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Victor Angelo (VA) defende que é preciso „mudar de rumo“. Diz e muito bem que „a intenção é clara e generosa.“ Para ele „a grande questão continua a ser a do poder“. Fala de „influenciar quem tem poder“, de „captar as atenções de multimilionários altruístas (!!!)“, de „filantropia“, para reconhecer „não parece haver a preocupação de desviar o percurso“, rematando „há que continuar a discussão sobre um mundo diferente“.

Bem, „mudar“. Quem fala em mudar tem que ter uma ideia clara das razões para o fazer. O que está mal? Quem tira proveito desta situação? É óbvio, a „gente influente“ de que fala VA. Mas é exactamente deles que VA espera a mudança.

Quem quer mudar tem de saber onde está, para onde quer ir, o caminho para chegar ao objectivo, com quem quer fazer esse caminho e que vantagens espera. Tudo muito concreto e o mais especificado possível. Tem de saber que vai mexer com interesses instalados da tal „gente influente“ que lhe vai levantar grandes dificuldades. Enfim, tem de se preparar para a luta.

Aqui chegado dirá VA „há que continuar a discussão sobre um mundo diferente.“ Para esta profunda e profícua „discussão“ bastam umas pantufas, pipocas e uma cerveja fresquinha.

No topo uma fotografia com um eloquente sinal de trânsito, proibido virar à esquerda. Como sabe o seleccionador de blogs do Sapo que este „mudar de rumo“ só serve para continuar a depenar os do costume?

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Os chineses e o papel higiénico

por Zzzzz, em 19.03.20

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Os chineses já passaram por tantos vírus que para eles o Covid-19 seria apenas mais um. Não o levaram a sério, não o trouxeram para os media, finalmente era apenas mais um vírus. Os jornalistas hoje, sábios como os conhecemos em tudo o que tenha a ver com a China, não poupam as autoridades chinesas, por elas terem subestimado o Covid.

Há também um tipo de pessoas que por experiência quando ouve falar de vírus logo os associa à diarreia. Uma explicação possível e muito provável para a atitude de açambarcamento de papel higiénico. O facto de o Covid ser muito mais perigoso que uma diarreia transformou uma associação mental simplória mas legitima, numa forte incongruência, característica fundamental do humor e da anedota.

Dos jornalistas de dedo apontado aos chineses tenho pena mas não têm razão.

Dos açambarcadores de papel higiénico tenho pena que não tenham tido razão.

 

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Tenho uma sensação esquisita de que o Covid-19 é bom. Os malucos da economia já não aceleram. Bem carregam no pedal do gás mas os negócios não saem do sítio. É bom. Como bom português mas um bocado do avesso, a ver a coisa do outro lado, tenho cá um palpite que é bom. Não se vendem tantas casas como se vendia. Porreiro! Os esfomeados da propriedade têm algum tempo para pensar. Para os bancos a coisa está negra, como nunca deixou de estar, e querem salvar o seu desespero espalhando-o pelos clientes sob a forma de créditos. Rebenta a bolha financeira, uma ameaça já no ar antes do Covid, acabam em muitos casos por ficar com o imóvel, a entrada, as prestações, o diabo a quatro. Um negócio da china e eles sabem o que estavam a fazer às pessoas.

O Covid é bom porque arrefeceu o stress de casino financeiro que tinha tomado conta de toda a sociedade. A voragem de lucro, dinheiro, propriedade, sucessos, méritos, talentos, criatividades, tudo ideias adulteradas, manipuladas, desviadas do seu sentido profundo, transformou muitos membros da sociedade, gente séria e honesta, em verdadeiros zombies. Parar faz bem porque permite reconsiderar, tomar ar fresco, reflectir sobre a vida que se leva e a vida que se deseja.

De um momento para o outro um vírus revela-nos as nossas fraquezas. A força da saúde, da sociedade, da componente social, da educação, da cultura, da civilização, foi desprezada e enfraquecida. O ego, o indíviduo, o privado, a vaidade, a aparência, estavam sobrevalorizados. A agressividade fanfarrona murchou, deixou entrever o medo. É desagradável dizer isto mas tenho a sensação esquisita de que o Covid veio acertar o relógio de muitas vidas.

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A televisão e o meu cão feliz

por Zzzzz, em 12.02.20

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Televisão, seja onde for, significa antes de mais consumo, passividade, apatia. O estremecimento espiritual gerado no telespectador é meramente emocional. Hábitos criados refrescam-se pela agitação mental e consolidam-se num estado, num patamar, superior, mais forte. O consumo cavalar de futebol, telenovelas e cristinas-ferreiras mexe paixões e o telespectador tocado com desprezo, na sua condição de objecto consumista, só pode acabar na fossa de uma prostração bovina. Menosprezado, abusado, maltratado, daí à ansiedade e à depressão é pulinho de pardal. Admira-me que as televisões na sua crapulice publicitária ainda se não tenham aproximado das indústrias farmacêuticas, exigindo-lhes a sua quota-parte pelos serviços prestados.

A apanha de conchas nas areias das praias, o cultivo de couves numa horta de autoestrada ou o zelo de uma campa anónima num cemitério abandonado é espiritualmente mais enriquecedor do que estar a ouvir a arenga de uma cristina ferreira. Mas, claro, isto sou eu cá comigo enquanto espero pelo pau que atirei para longe para ver o meu cão feliz.

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De facto, é preciso ter lata para atribuir às meninas a côr rosa. Mas digo-vos: É preciso ter muito maior lata para arrumar os meninos no azul. As meninas das redes, feridas, protestaram. E os meninos das redes? Estarão eles satisfeitos com o azul?

Arrumar os meninos no azul é um preconceito, um estereotipo embebido de sexismo. A Comissão do Género destaca a discriminação porque as meninas são atiradas para o rosa. Pensaram alguma vez nos efeitos psicológicos negativos sobre os meninos ao serem assim dictatoriamente encaixados no azul?

Também eu tenho a minha côr mas não a vou revelar aqui para não ser vítima de um ataque das redes. Exijo apenas que a Porto Editora ponha nos mercados publicações de todas as cores, tons e nuances, desde o branco puro #ffffff ao preto fechado #000000. Quero a minha côr no meu tom e na minha nuance, sem desbotamento. Não brinquem com o meu gosto e a minha liberdade, senão queixo-me à Comissão do Género.

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