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 Os passadiços do Paiva são os mais famosos do país. Há muitos outros passadiços espalhados por aí mas não são tão célebres como os passadiços do Paiva. Estes são especiais. A sua especialidade residirá no facto de ser uma construção de madeira num espaço que pertence à árvore.

A árvore, um elemento natural, é substituida por uma construção feita a partir da sua substância, mas muito mais útil e interessante que ela. Árvores naquele sítio, a cobrir aqueles montes de calhaus agressivos como ossos de éguas escanzeladas, não teriam nem de longe nem de perto o charme dos passadiços. Ninguém vai calcorrear encostas íngremes cobertas de calhaus sem um tapete a isentá-lo das agruras do terreno.

A beleza da natureza sempre esteve na sua distância. Só do alto e da segurança dos passadiços podemos admirá-la como deve ser. Com os pés bem firmes sobre os passadiços não temos o incómodo do contacto com o chão de terra suja e as pedras rudes. Não nos sujamos ou irritamos, e assim é que está bem. 

Acontece que a natureza também está na moda. Gostamos dela porque ouvimos ou lemos algures que lá o ar fresco é a dar com um pau e que faz bem à saúde, uma das nossas grandes preocupações. Mas a natureza só é tragável se estiver bem higienizada e devidamente humanizada. Só uma natureza à medida do humano moderno, elegante e optimizada, terá um grande futuro. Por isso fazemos o que podemos para a poupar, cobrindo-a de passadiços.

A sociedade do futuro será uma sociedade de tempos livres onde o turista será rei. Dá gosto ver o rei, esse ser superior, a entrar pela natureza adentro com os seus objectos e os seus símbolos de marca e a incensá-la com a sua graça, os seus valores, os seus pasmos profundos. Só celebridades destas podem transmitir aos passadiços a aura da sua celebridade. Nunca uma árvore, na sua imensa e bruta banalidade, poderá alguma vez competir com o corrimão de um passadiço. Jamais!

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16 comentários

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De Carlos Sousa a 31.08.2016 às 22:16

E quem não vive em locais cujas casas, passeios e estradas foram outrora ocupados por árvores?
E quem usa água em casa com origem numa qualquer barragem que inundou uma floresta está por acaso preocupado com a origem da água que bebe?
Que visão mais estreita!
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De advm a 31.08.2016 às 22:19

Dá-me a impressão que quem escreveu isto não tem a mínima noção do que é a natureza. O pisar a terra, o sentir o seu cheiro, o pisar a caruma. Os passadiços são maravilhosos e permitem muita coisa, menos essa presunção que somos reis, Bahh! "Uma árvore na sua bruta banalidade..." - Uma árvore é todo um ser vivo imponente, majestoso e belo. Belo demais para ser comparado com um simples corrimão.
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De Carlos Duarte a 31.08.2016 às 23:12

Fundamentalismos há muitos, e esse comentário cheira-me exatamente a isso: Fundamentalismo radical! O Homem e a Natureza existem em convivência. Os passadiços são um bom exemplo de uma convivência bem sucedida. Os grandes detratores esquece-se do que é viver no interior rural sem outras opções... Aliás, viu-se a quebra no turismo, fonte de rendimento bem mais sustentável que a indústria e a monocultura do eucalipto, após os dois incêndios que se abateram sobre aquela estrutura.Poderia haver outras soluções de desenvolvimento para a região, sem haver desarborização? Poder poderia, mas não consigo vislumbrar nenhuma... Talvez a autora nos possa dar um vislumbre! Assim, em vez de apenas opinar, poderia ir mais além...
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De Kruzes Kanhoto a 01.09.2016 às 22:45

Para mim que nasci, cresci e vivi parte da minha vida adulta no campo que piada posso achar a esta coisa dos passadiços?! Isso é para os bichinhos do betão!
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De artistasimpatica a 03.09.2016 às 08:02

Muitos parabéns pelo teu destaque!!

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