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 Os passadiços do Paiva são os mais famosos do país. Há muitos outros passadiços espalhados por aí mas não são tão célebres como os passadiços do Paiva. Estes são especiais. A sua especialidade residirá no facto de ser uma construção de madeira num espaço que pertence à árvore.

A árvore, um elemento natural, é substituida por uma construção feita a partir da sua substância, mas muito mais útil e interessante que ela. Árvores naquele sítio, a cobrir aqueles montes de calhaus agressivos como ossos de éguas escanzeladas, não teriam nem de longe nem de perto o charme dos passadiços. Ninguém vai calcorrear encostas íngremes cobertas de calhaus sem um tapete a isentá-lo das agruras do terreno.

A beleza da natureza sempre esteve na sua distância. Só do alto e da segurança dos passadiços podemos admirá-la como deve ser. Com os pés bem firmes sobre os passadiços não temos o incómodo do contacto com o chão de terra suja e as pedras rudes. Não nos sujamos ou irritamos, e assim é que está bem. 

Acontece que a natureza também está na moda. Gostamos dela porque ouvimos ou lemos algures que lá o ar fresco é a dar com um pau e que faz bem à saúde, uma das nossas grandes preocupações. Mas a natureza só é tragável se estiver bem higienizada e devidamente humanizada. Só uma natureza à medida do humano moderno, elegante e optimizada, terá um grande futuro. Por isso fazemos o que podemos para a poupar, cobrindo-a de passadiços.

A sociedade do futuro será uma sociedade de tempos livres onde o turista será rei. Dá gosto ver o rei, esse ser superior, a entrar pela natureza adentro com os seus objectos e os seus símbolos de marca e a incensá-la com a sua graça, os seus valores, os seus pasmos profundos. Só celebridades destas podem transmitir aos passadiços a aura da sua celebridade. Nunca uma árvore, na sua imensa e bruta banalidade, poderá alguma vez competir com o corrimão de um passadiço. Jamais!

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1 comentário

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De aalmeidah a 31.08.2016 às 12:12

Eu que até moro a pouco mais de 40 Km dos passadiços ainda os não calcorreei. Nem sei se o farei. De resto já conheço paisagens do Paiva de outros pontos e locais porventura desconhecidos para muita boa gente mesmo da zoa, bem antes dos ditos cujos.
Mas sim, pelo que tenho visto, estes passadiços não contribuem em nada para a preservação da natureza naquele local concreto. Se nalguns pontos a coisa até está bem integrada e com reduzido impacto, nalguns pontos o impacto visual é deveras pesado e ofensivo da paisagem. O controlo de visitantes veio controlar uma autêntica anarquia inicial mas não basta. Mas em contraponto, a velha questão: Para quê preservar a natureza se dela não podemos usufruir? Mas como em tudo há opiniões e pontos de vista para todos os gostos e feitios.
Embora as mesmas questões sobre impactos negativos se possam colocar, creio que os também já populares passadiços do Rio Uíma, em Santa Maria da Feira, têm um tipo de integração bem mais adequado ao tipo de paisagem. Mas, é apenas uma simples opinião.

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