Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



 Os passadiços do Paiva são os mais famosos do país. Há muitos outros passadiços espalhados por aí mas não são tão célebres como os passadiços do Paiva. Estes são especiais. A sua especialidade residirá no facto de ser uma construção de madeira num espaço que pertence à árvore.

A árvore, um elemento natural, é substituida por uma construção feita a partir da sua substância, mas muito mais útil e interessante que ela. Árvores naquele sítio, a cobrir aqueles montes de calhaus agressivos como ossos de éguas escanzeladas, não teriam nem de longe nem de perto o charme dos passadiços. Ninguém vai calcorrear encostas íngremes cobertas de calhaus sem um tapete a isentá-lo das agruras do terreno.

A beleza da natureza sempre esteve na sua distância. Só do alto e da segurança dos passadiços podemos admirá-la como deve ser. Com os pés bem firmes sobre os passadiços não temos o incómodo do contacto com o chão de terra suja e as pedras rudes. Não nos sujamos ou irritamos, e assim é que está bem. 

Acontece que a natureza também está na moda. Gostamos dela porque ouvimos ou lemos algures que lá o ar fresco é a dar com um pau e que faz bem à saúde, uma das nossas grandes preocupações. Mas a natureza só é tragável se estiver bem higienizada e devidamente humanizada. Só uma natureza à medida do humano moderno, elegante e optimizada, terá um grande futuro. Por isso fazemos o que podemos para a poupar, cobrindo-a de passadiços.

A sociedade do futuro será uma sociedade de tempos livres onde o turista será rei. Dá gosto ver o rei, esse ser superior, a entrar pela natureza adentro com os seus objectos e os seus símbolos de marca e a incensá-la com a sua graça, os seus valores, os seus pasmos profundos. Só celebridades destas podem transmitir aos passadiços a aura da sua celebridade. Nunca uma árvore, na sua imensa e bruta banalidade, poderá alguma vez competir com o corrimão de um passadiço. Jamais!

Autoria e outros dados (tags, etc)


1 comentário

Sem imagem de perfil

De fernando duarte a 31.08.2016 às 21:11

Teremos sempre a maledicência porque se faz e porque não se faz... Mas que o Paiva teve outro atrativo, publicidade e interessados à sua visita lá isso teve. Só por isso já valeu a pena decorar os rochedos porque as arvores nunca seriam muitas.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D